Causas, Diagnóstico e Tratamentos Baseados em Evidências

Infertilidade Masculina

Guia completo sobre infertilidade masculina: espermograma, varicocele, azoospermia, terapia hormonal, micro-TESE e reprodução assistida. Baseado nas guidelines EAU 2025 e AUA/ASRM 2024.

Infertilidade masculina — diagnóstico e tratamento

O Que é Infertilidade Masculina?

A infertilidade é definida como a incapacidade de um casal conceber após 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção. O fator masculino está presente, isoladamente ou em combinação com o fator feminino, em aproximadamente 50% dos casais inférteis.

Estima-se que 7% dos homens em idade reprodutiva apresentam algum grau de subfertilidade. As causas são diversas: varicocele (a causa tratável mais comum), distúrbios hormonais, fatores genéticos, obstruções do trato genital, infecções, uso de medicações gonadotóxicas e fatores ambientais. Em 30-40% dos casos, nenhuma causa é identificada (infertilidade idiopática).

A avaliação do homem infértil é obrigatória em todo casal com dificuldade para engravidar. O urologista é o especialista responsável por diagnosticar e tratar o fator masculino, podendo identificar condições tratáveis que restauram a fertilidade natural ou otimizam os resultados da reprodução assistida. Além disso, a infertilidade pode ser o primeiro sinal de doenças sistêmicas como tumores testiculares, hipogonadismo ou condições genéticas.

Alerta: Testosterona e Fertilidade

O uso de testosterona exógena (injeções, gel, adesivos) é uma das causas mais comuns de infertilidade masculina iatrogênica. A testosterona suprime a produção de FSH e LH, levando a azoospermia em 40-60% dos homens em poucos meses. Se você deseja ter filhos, não use testosterona sem orientação médica especializada. Existem alternativas seguras para tratar o hipogonadismo sem comprometer a fertilidade.

Números da Infertilidade Masculina

Dados epidemiológicos baseados em estudos populacionais e guidelines internacionais

50%

dos casais inférteis têm fator masculino

7%

dos homens em idade reprodutiva são subférteis

35-40%

dos homens inférteis têm varicocele

30-40%

dos casos são idiopáticos

Causas da Infertilidade Masculina

Classificadas por localização anatômica — Baseado em EAU 2025 e Campbell-Walsh-Wein 13th Ed.

Investigação Diagnóstica

Abordagem sistemática recomendada pelas guidelines EAU 2025 e AUA/ASRM 2024

1

História Clínica Detalhada

Tempo de infertilidade, frequência sexual, história de criptorquidia, infecções, cirurgias, medicações (especialmente testosterona e anabolizantes), exposições ocupacionais e hábitos de vida.

Recomendação Forte — EAU 2025 / AUA 2024
2

Espermograma (Análise Seminal)

Exame fundamental. Deve ser realizado após 2-7 dias de abstinência. Se alterado, repetir em 4-6 semanas. Avalia volume, concentração, motilidade, morfologia e vitalidade.

Recomendação Forte — EAU 2025 / AUA 2024 / OMS 2021
3

Dosagens Hormonais

FSH, LH, testosterona total (matinal). Prolactina e estradiol se indicados. FSH elevado sugere falência testicular; FSH baixo sugere causa pré-testicular.

Recomendação Forte — EAU 2025
4

Exame Físico Urológico

Avaliação do volume testicular (orquidômetro de Prader), palpação dos vasos deferentes, pesquisa de varicocele (manobra de Valsalva), avaliação de caracteres sexuais secundários.

Recomendação Forte — EAU 2025 / AUA 2024
5

Ultrassonografia Escrotal

Avaliação do parênquima testicular, pesquisa de varicocele subclínica, massas testiculares, cistos epididimários e obstruções. Complementa o exame físico.

Recomendação Condicional — EAU 2025
6

Testes Genéticos

Cariótipo (azoospermia ou oligozoospermia grave < 5 milhões/mL), microdeleções do Y (AZFa/b/c), pesquisa de mutações CFTR (CAVD). Essenciais antes de técnicas de reprodução assistida.

Recomendação Forte — EAU 2025 / AUA 2024

Espermograma: Valores de Referência

Baseado no Manual da OMS para Exame de Sêmen, 6ª edição (2021)

ParâmetroValor Normal (P5)AlteradoSignificado Clínico
Volume≥ 1,5 mL< 1,5 mL (hipospermia)Volume baixo: ejaculação retrógrada, obstrução ductal, hipogonadismo ou coleta incompleta.
Concentração≥ 16 milhões/mL< 16 milhões/mL (oligozoospermia)Oligozoospermia grave (< 5 milhões/mL): investigar causa genética.
Motilidade total≥ 42%< 42% (astenozoospermia)Motilidade reduzida: varicocele, infecção, anticorpos antiesperma, defeitos flagelares.
Motilidade progressiva≥ 30%< 30%Motilidade progressiva é a mais relevante para fertilidade natural.
Morfologia (Kruger)≥ 4% formas normais< 4% (teratozoospermia)Morfologia isoladamente alterada tem valor prognóstico limitado.
Vitalidade≥ 54% vivos< 54% (necrozoospermia)Importante quando motilidade é muito baixa — diferencia imóveis vivos de mortos.
Contagem total≥ 39 milhões/ejaculado< 39 milhõesParâmetro global que combina volume e concentração.

Importante: Um espermograma alterado isolado não define infertilidade. Deve ser repetido em 4-6 semanas para confirmação. Fatores como febre recente, medicações e estresse podem alterar temporariamente os resultados. A interpretação deve ser feita pelo urologista no contexto clínico do casal.

Azoospermia: Algoritmo de Investigação

Ausência completa de espermatozoides no ejaculado — presente em 10-15% dos homens inférteis

Espermograma: azoospermia (2 amostras)

Dosagem de FSH + Volume testicular

FSH normal + testículos normais → Azoospermia obstrutiva provável

FSH elevado + testículos pequenos → Azoospermia não-obstrutiva provável

Testes genéticos: cariótipo + microdeleções Y + CFTR

Decisão: Reconstrução cirúrgica vs. Extração (TESE/micro-TESE) + ICSI

Opções de Tratamento

Do tratamento clínico à reprodução assistida — abordagem individualizada baseada na causa

Quando Procurar o Urologista?

Casal tentando engravidar há mais de 12 meses sem sucesso

Parceira com mais de 35 anos e tentativa há mais de 6 meses

Espermograma alterado (oligozoospermia, astenozoospermia, azoospermia)

História de criptorquidia, varicocele ou cirurgias genitais

Uso atual ou prévio de testosterona ou anabolizantes

Quimioterapia ou radioterapia prévia (preservação de fertilidade)

Disfunção erétil ou ejaculatória associada

Dor ou aumento testicular (excluir tumor testicular)

Perguntas Frequentes

Respostas baseadas nas guidelines EAU 2025 e AUA/ASRM 2024

Avaliação Especializada em Fertilidade Masculina

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem restaurar a fertilidade natural em muitos casos. Agende uma consulta para avaliação individualizada.

Referências

  1. [1]Salonia A et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health — Male Infertility. European Association of Urology, 2025.
  2. [2]Schlegel PN et al. Diagnosis and Treatment of Infertility in Men: AUA/ASRM Guideline Part I. J Urol. 2021;205(1):36-43.
  3. [3]Schlegel PN et al. Diagnosis and Treatment of Infertility in Men: AUA/ASRM Guideline Part II. J Urol. 2021;205(1):44-51.
  4. [4]WHO Laboratory Manual for the Examination and Processing of Human Semen. 6th ed. World Health Organization; 2021.
  5. [5]Agarwal A et al. Male Oxidative Stress Infertility (MOSI): Proposed Terminology and Clinical Practice Guidelines. World J Mens Health. 2019;37(3):296-312.
  6. [6]Esteves SC et al. Surgical treatment of male infertility: varicocelectomy and sperm retrieval. Fertil Steril. 2023;120(5):963-979.
  7. [7]Dabaja AA, Schlegel PN. Microdissection testicular sperm extraction: an update. Asian J Androl. 2013;15(1):35-39.
  8. [8]Wein AJ, Kavoussi LR, Partin AW, Peters CA. Campbell-Walsh-Wein Urology. 13th ed. Elsevier; 2024. Chapters 66-72: Male Infertility.
  9. [9]Tournaye H et al. Novel concepts in the aetiology of male reproductive impairment. Lancet Diabetes Endocrinol. 2017;5(7):544-553.
  10. [10]Minhas S et al. EAU Guidelines on Male Sexual and Reproductive Health: 2021 Update on Male Infertility. Eur Urol. 2021;80(5):603-620.

Tem dúvidas? Agende uma consulta

O Dr. Felipe de Bulhões está disponível para esclarecer suas dúvidas e indicar o melhor tratamento para o seu caso. Atendimento presencial e por teleconsulta.

© 2026 Dr. Felipe de Bulhões — Urologista | CRM-SP 202291

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um especialista.